Desafios e dificuldades apresentadas por graduandos em Química na disciplina de Química Geral: com a palavra os professores
DOI:
https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072624Palavras-chave:
Dificuldades conceituais, Ensino Superior, Química GeralResumo
A disciplina de Química Geral ocupa uma posição central na formação inicial dos graduandos em Química, pois reúne conhecimentos fundamentais para a compreensão de conteúdos abordados ao longo do curso. Entretanto, sua aprendizagem envolve desafios que ultrapassam o domínio conceitual e se relacionam às trajetórias escolares e às condições de permanência no ensino superior. Esta pesquisa teve como objetivo identificar, sob a perspectiva de docentes universitários, as principais dificuldades enfrentadas por graduandos em Química na disciplina de Química Geral de uma universidade federal da Região Sul do Brasil. De abordagem qualitativa, o estudo envolveu entrevistas estruturadas individuais com seis professores que lecionam ou lecionaram essa disciplina ou atuam em componentes curriculares que a têm como pré-requisito. As entrevistas foram transcritas integralmente e examinadas por meio da Análise Textual Discursiva, contemplando as etapas de unitarização, categorização e produção de metatextos. A análise originou seis categorias, articuladas em três metatextos referentes aos impactos da formação básica e das desigualdades educacionais, dificuldades conceituais associadas à linguagem simbólica, aos níveis representacionais e à matemática, e por fim, condições adversas de estudo. Nas percepções dos docentes, destacaram-se lacunas nos conhecimentos prévios de Química e Matemática, dificuldades na compreensão da linguagem simbólica e na articulação entre os níveis macroscópico, submicroscópico e simbólico, além de obstáculos na resolução de problemas químicos. Os relatos também evidenciaram desafios associados à organização da rotina de estudos, à conciliação entre trabalho e formação universitária, aos deslocamentos e ao desgaste emocional. Os resultados indicam que essas dificuldades se articulam a desigualdades educacionais e condições socioeconômicas, demandando uma compreensão integrada dos processos de aprendizagem e permanência estudantil. Conclui-se que o enfrentamento desses desafios requer práticas pedagógicas contextualizadas, ações de apoio à transição para o ensino superior e políticas institucionais de acolhimento e assistência estudantil. Dessa forma, o trabalho contribui para a reflexão sobre estratégias que favoreçam condições mais equitativas de aprendizagem, reconhecendo como limitação a análise exclusiva das perspectivas docentes.
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